Ontem participei num evento de promoção turística que me deixou fascinada.
Os rios sempre exerceram uma atracção irresistível para os povos e os rios sempre estiveram ligados à vida das populações, buscando neles o seu sustento, a comunicação com outras terras e transporte de matéria-prima. Eram importantes vias, as auto-estradas dos séculos anteriores.
O rio Tejo não é excepção. A ele se encontram ligadas várias comunidades piscatórias e "marítimas" - como se chamavam os que navegavam rio abaixo em rotas comerciais.
Tejo é rio intimamente ligado ao desenvolvimento e ao crescimento económico. Tal como outrora, o Tejo continua um enorme potencial gerador de receitas. Desta vez, aborda-se na sua vertente turística; de descoberta da beleza do rio, da fauna e flora a ele associados; de descoberta de culturas e tradições, histórias de vida e modos de vida de comunidades que por aqui se fixaram. É o caso dos pescadores oriundos de Vieira de Leiria e dos seus ritmos quotidianos ligados às marés e daquela que denominados como "Cultura Avieira". Foi um pouco desta cultura, mas também da nossa gastronomia, dos vinhos e da beleza única do rio e das suas margens que ontem fui descobrir.
Aldeia Avieira - Escaroupim
Chegada a Escaroupim
Salienta-se a recepção extraordinária que a OLLEM - Turismo Fluvial nos proporcionou e o programa fantástico que se seguiu. Sem dúvida, um dia inesquecível que a todos se recomenda...
Visitem...
Embarcação Turística OLLEM - Turismo Fluvial (Quinta da Palhota)
Foi uma tarde quente de Abril, a lembrar o calor escaldante do Verão. Pelas lezírias ribatejanas percorremos caminhos de terra batida e chegámos ao ponto de encontro. Uma unidade de Turismo Rural, magnífica, a Quinta da Palhota (deve o seu nome à aldeia de Avieiros que existe em frente: a Palhota) surpreende-nos pela serenidade que aí se respira.
Estábulos com cavalos; espaços verdes; cantos e recantos de uma beleza inigualável; o rio. Esse majestoso Tejo que se alarga à nossa frente. Corrente forte; Garças esvoaçando; E o ancoradouro onde nos aguardam dois barcos de cruzeiro fluvial.
Antes de iniciarmos a subida do rio, a Quinta do Falcão (Vila Chã de Ourique) brinda-nos com uns vinhos de excelente qualidade. Um branco seco fresquíssimo e um tinto frutado que prometia desvendar segredos de castas.
O percurso entre a Quinta da Palhota e a aldeia Avieira visitada (Escaroupim) não é grande, mas a beleza é indescritível. As margens frondosas e verdes; os mouchões onde nidificam milhares de garças; os barcos de cores vivas do Tejo; as casas dos avieiros; Entramos numa. A Srª Dª Maria Cacilda recebe-nos com um sorriso no rosto. Partilha as durezas da vida de antigamente, quando o ritmo se fazia ao sabor das enchentes do rio, das marés e das oportunidades de pesca. A casa minúscula de madeira pintada em tom forte de azul, aberta de par em par, é agora um testemunho vivo de uma vida que se perdeu no tempo e de uma cultura que importa preservar.
Pormenor do interior de uma casa avieira
Voltamos ao barco. Descemos o rio com o sol caindo no horizonte. As águas enchem-se de lume, a frescura feita brisa contrasta com as cores rubras do céu e do rio...ao longe...um abraço de fogo e água.
Vestidos a rigor, como se de autênticos avieiros se tratassem, um grupo de alunos do 2º ano do curso de Hotelaria e Turismo da Escola de Hotelaria de Santarém, são agora os centros das atenções. A par do excelente serviço que executam, distribuem sorrisos e vinhos com sabor a Ribatejo. Nas bandejas circulam iguarias que aliam a tradição do passado com a irreverência da modernidade: Magusto - broa batida com couve e feijão encarnado; Lombos de sável com molho de manga; Quadrados de bacalhau assado; Nacos de touro com molho de ervas;
Alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Santarém
Aos alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Santarém e aos professores envolvidos, mais uma vez, parabéns! Tive pena de não saber o nome de todos, mas a todos cumprimento pelo rigor e pela excelência do serviço (Miguel Coelho Lopes foi o único nome que registei. Tiveste uma postura fantástica, tal como todos os teus colegas.)
Alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Santarém
Sem dúvida que a promoção turística do nosso país passa, em muito, pela qualidade do serviço de quem recebe. Desejo-vos os maiores sucessos na vida profissional que irão abraçar. Escolheram uma carreira com futuro. E o nosso futuro passa, inequivocamente, pelo sector turístico, pelo que é necessário um suporte de qualidade.
Regressámos noite escura com memórias que irão perdurar no gosto e no olhar; Uma sugestão que se torna um apelo. Pela Cultura Avieira vão à descoberta deste património!
Mouchão - Santuário de nidificação das garças
(Agradeço as fotos do Eng. Carlos Vitorino)
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